De acordo com Josh Blyskal, da Profound, que analisou mais de 1 bilhão de menções ao ChatGPT e 1 milhão de visitas de referência em uma amostra de sites de diversos setores, o tráfego de referência do ChatGPT para websites caiu 52% desde 21 de julho.
Ainda segundo Blyskal, websites como Wikipedia e Reddit tiveram aumento expressivo de menções, com 62% e 87%, respectivamente. Só a Wikipedia concentra cerca de 13% de todas as citações.
O ChatGPT, portanto, estaria favorecendo um pequeno grupo de fontes “prioritárias”, enquanto websites de marcas estão perdendo visibilidade e alcance.
Segundo o autor da pesquisa, a consolidação das citações começou poucas semanas antes do lançamento do GPT-5, sugerindo que a OpenAI estaria calibrando o modelo para priorizar informações sem viés comercial — chamadas de fontes answer-first. Isso indica a necessidade de uma mudança na estratégia de produção de conteúdo: menos foco no uso excessivo de CTAs (calls to action) e mais na entrega de informação útil e direta ao usuário. Blyskal alerta ainda que os experimentos de citação conduzidos pela OpenAI podem provocar grandes oscilações de tráfego.
Para o consultor em estratégias competitivas e marketing, Daniel Bastreghi, ainda não há clareza sobre o retorno dos investimentos em SEO, GEO e produção de conteúdo na nova era das IAs generativas. Ele observa que diversos websites já relatam quedas significativas de acessos orgânicos e que, mesmo quando referenciam o conteúdo original, as provedoras de IA muitas vezes satisfazem a demanda do usuário sem que ele precise acessar o site.
“As IAs generativas estão mudando radicalmente a forma como consumimos conteúdo, reduzindo o alcance das publicações. Isso significa que os espaços orgânicos nas grandes plataformas estão encolhendo, o que intensifica ainda mais a competição entre os produtores de conteúdo”, alerta o consultor.
À medida que conquistam mais usuários, as IAs generativas assumem o papel de empresas de mídia. Com isso, passam a disputar espaço com grandes grupos de comunicação e intensificam debates sobre direitos autorais, ética, viés político e estratégias de marketing. Recentemente, a Folha de S.Paulo entrou em disputa com a OpenAI, alegando uso indevido de seu conteúdo para o treino de modelos e sua distribuição.
Para Bastreghi, “isso é apenas o começo. Nos próximos anos, certamente veremos inúmeras discussões sobre a origem e a originalidade do conteúdo fornecido pelas IAs. Será um confronto massivo entre diferentes gerações de modelos de negócio”.