Publicidade digital deve chegar a 70% do mercado até 2029

A publicidade digital segue acelerando no Brasil e deve consolidar, nos próximos anos, uma mudança estrutural na forma como marcas planejam mídia, medem resultados e disputam atenção. A projeção é que os formatos digitais representem 70% da receita total de publicidade até 2029, segundo a Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2025–2029, da PwC.

O dado reforça um movimento que já ganhou escala. Em 2024, a publicidade digital respondeu por 60% da receita total do setor no país. Se a tendência se confirmar, o mercado brasileiro entra em uma fase em que o digital deixa de ser “um canal importante” e passa a ser, de fato, o centro da estratégia.

Em valores, a PwC estima que a receita do segmento no Brasil cresça de US$ 4,1 bilhões em 2024 para US$ 6,7 bilhões em 2029, uma alta de 63%. No cenário global, o salto previsto é de US$ 169 bilhões para US$ 230 bilhões no mesmo período (crescimento de 36%), com a participação do digital subindo de 72% para 80%.

Publicidade digital: por que o mercado acelera até 2029

Para Henrique Morbi, CEO da iD Publicidade, o avanço é consequência direta de duas forças combinadas: eficiência e precisão. “O digital cresce porque entrega algo que o mercado exige cada vez mais: segmentação melhor, integração de dados e mensuração mais clara do retorno. Quando o orçamento fica mais disputado, a verba tende a migrar para onde o resultado é mais evidente”, afirma.

Esse crescimento também ocorre em um contexto em que modelos pagos e por assinatura enfrentam maior resistência do consumidor. Com parte do público menos propenso a aceitar reajustes, empresas de mídia e tecnologia ampliam o peso da publicidade na receita e aceleram formatos híbridos.

Um exemplo é o AVOD (streaming gratuito com publicidade), que deve passar de 4% da receita total em 2020 para 8% em 2029 no Brasil. No mundo, a fatia deve sair de 20% para 27%. Na prática, isso amplia inventário, abre espaço para novos formatos e pressiona marcas a aperfeiçoarem criativos e frequência para evitar saturação.

Morbi destaca que o desafio não é apenas comprar mídia, mas construir consistência. “Com mais oferta de inventário e mais competição, vence quem tem estratégia de conteúdo, criativos que performam e uma operação de dados bem amarrada. Não dá para depender só de otimização de plataforma”, diz.

O que muda para marcas, agências e verbas de mídia

Outra frente que ganha força é a publicidade em ambientes de varejo digital, impulsionada pelo comportamento de busca do consumidor. O relatório aponta que, no Brasil, a participação de plataformas de varejo na receita de busca patrocinada deve crescer de 12% em 2024 para 22% em 2029. Globalmente, o avanço esperado é de 39% para 46%.

A mudança encurta o caminho entre anúncio, decisão e compra, reposicionando o e-commerce como um canal de performance e também de construção de marca. “O varejo vira mídia porque está mais perto da transação e do dado de intenção. Para as marcas, isso significa reorganizar o mix: search, retail media, vídeo e social precisam conversar com o mesmo objetivo e as mesmas métricas”, conclui o CEO da iD Publicidade.

Com o digital caminhando para 70% do mercado, a discussão passa a ser menos sobre “migrar” e mais sobre como escalar com governança, criatividade e dados — sem perder eficiência no curto prazo e visão de marca no longo.

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